sexta-feira, 13 de abril de 2012

Ronda da Lapinha


Ronda da Lapinha 2012


O mais antigo Clamor



17 de Junho de 2012


Antigamente faziam-se rondas ou clamores em muitas terras. Um Clamor consistia em fazer-se uma procissão à volta de uma freguesia, mas dentro do seu território, cantando as ladainhas ou rezando. Pretendia-se sempre que o Santo ou a Senhora protegesse as colheitas ou os animais, e que as intempéries não estragassem os frutos nem outros bens cultivados. De igual modo se pedia protecção para a saúde, para afastar a fome, a peste e a guerra, ou implorar outros favores celestes. Todos iam à Procissão/clamor pedir auxílio espiritual para uma situação embaraçosa que os molestava. Estas rondas tinham, por via de regra, uma data ou área temporal repetindo-se todos os anos. Muitas vezes eram realizadas em cumprimento de uma promessa. Também se exigia, por tradição, que de cada casa participasse uma pessoa.


Esta razão, associada à necessidade que todos têm de pedir algum tipo de protecção para si próprios, ou para os seus queridos, explica em parte, o grande afluxo de gente que anualmente engrandece a procissão da Ronda da Lapinha, a mais antiga de que há memória, com um percurso de 21 quilómetros, percorrido numa tarde de muito calor (o domingo mais próximo do solstício do verão) em duas etapas de 3 horas cada, por milhares de devotos caminhando a pé e com o andor da Senhora aos ombros.


Existiam inúmeras rondas ou clamores por todo o país, nomeadamente no concelho de Guimarães, mas a única que sobreviveu ao desgaste dos tempos foi a Ronda da Lapinha, que neste ano de 2012, em que Guimarães é Capital Europeia da Cultura, vai completar 400 anos.

Por todas estas razões, a Irmandade da Lapinha, responsável pela organização desta grande a antiga manifestação de fé, pretende celebrar com a maior solenidade o Jubileu dos 400 anos do primeiro Clamor, ocorrido em 1612 e, assim, proporcionar aos visitantes e turistas da Capital Europeia da Cultura uma manifestação religiosa onde brilha a imagem mais genuína e autêntica do povo de Guimarães e do norte do país e que constitui, por isso, uma rica experiência de património cultural imaterial.


E assim, com a autorização e o apoio do Senhor Arcebispo Primaz de Braga, Dom Jorge Ortiga, a Irmandade da Lapinha pretende aproveitar a tradicional passagem da Ronda da Lapinha pela cidade de Guimarães para, no Largo do Toural (a Praça Maior da cidade) realizar um Clamor de Consagração das Famílias Portuguesas a Nossa Senhora, numa época em que a instituição familiar tem sido vítima dos ataques mais soezes.


A cerimónia vai ocorrer entre as 16 e as 17 horas do dia 17 de Junho, será presidida pelo Senhor Arcebispo Primaz de Braga que, diante do andor da Senhora da Lapinha colocado numa Tribuna a instalar no passeio em frente da Igreja de S. Pedro, dirigirá a Nossa Senhor o Clamor de Consagração.


Aproveitando uma lenda criada à volta das invocações de Nossa Senhora mais veneradas no baixo Minho e que as representa como Irmãs, a Irmandade da Lapinha convidou as suas congéneres de Nossa Senhora da Penha (Guimarães), Nossa Senhora da Madre-de-Deus (Guimarães), Nossa Senhora da Oliveira (Guimarães), Nossa Senhora do Alívio (Vila Verde), Nossa Senhora da Abadia (Amares) e Nossa Senhora das Dores (Póvoa de Varzim) para colaborarem e enriquecerem este evento, fazendo deslocar as respectivas imagens a Guimarães neste dia, a fim de neste momento estarem ao lado do andor de Nossa Senhora da Lapinha.


Com a presença dos devotos das diversas invocações de Nossa Senhora acima referidas, o apelo de mobilização está praticamente dirigido a todos os católicos do baixo Minho, do litoral e interior.


Pela Irmandade da Lapinha


Florentino Cardoso