segunda-feira, 21 de abril de 2014


ROTA INTERPAROQUIAL DA IMAGEM DA SENHORA

A Irmandade de Nossa Senhora da Lapinha tem a missão de promover o culto de Nossa Senhora, sob a invocação de Nossa Senhora da Lapinha, porque foi num lugar com este nome, no monte da Lapinha, situado na freguesia de Calvos, do concelho de Guimarães, que, segundo a lenda, terão ocorrido factos extraordinários no início do séc. XVII, que determinaram a confiança do povo na intervenção solícita de Nossa Senhora e, em consequência desses factos extraordinários,  nasceram e desenvolveram-se as práticas de veneração que hoje subsistem.

.O culto de Nossa Senhora da Lapinha expressa-se, fundamentalmente, numa manifestação mariana, piedosa e de penitência, muito antiga, extensa e popular, actualmente conhecida por Ronda da Lapinha, mas que até meados do século XIX era oficial e popularmente referida como "A Senhora-à-Vila".

É antiga porque tem as particularidades que lhe são conferidas por uma vivência colectiva que completou quatro séculos no ano 2012;

É longa porque desde o Santuário da Lapinha até à Cidade de Guimarães e no regresso por outro caminho atravessa 14 freguesias, e faz um percurso de 21 quilómetros, facto que levou o Senhor Arcebispo de Braga a conferir-lhe o epíteto de Meia Maratona da Fé;

É popular porque se exprime na cultura do povo que reside na bacia hidrográfica do Rio Vizela, da qual a freguesia de Jugueiros faz parte,  e mantem as particularidades que os quatro séculos de vivência colectiva que conferiram.

Este terrítório onde está implantada a devoção à Senhora da Lapinha reparte-se por quatro municípios: Guimarães, Felgueiras, Fafe e Vizela.

Quando falamos de Ronda da Lapinha,  falamos de piedade popular na sua expressão pura.

E por isso ficamos sensibilizados quando lemos as palavras do Papa Francisco na sua Primeira Exortação Apostólica, Evangelii Gaudium, a propósito da piedade popular.

Disse o Papa, citando o seu antecessor Paulo VI: 

"A piedade popular traduz em si uma certa sede de Deus, que somente os pobres e os simples podem experimentar» e «torna as pessoas capazes para terem rasgos de generosidade e predispõe-nas para o sacrifício até ao heroísmo, quando se trata de manifestar a fé».

E como achamos que estas palavras do Papa assentam que nem uma luva à Ronda da Lapinha, entendemos que a Ronda da Lapinha tem de passar a ser olhada como um marco importante no plano da Fé, e tem de ganhar um conteúdo evangélico e evangelizador cada vez mais profundo e estimulante, porque é uma manifestação muito importante no plano da fé.

E ao pensar nisto, a primeira ideia que nos ocorreu foi voltar a imagem da Senhora da Lapinha para as comunidades religiosas da bacia hidrográfica do Rio Vizela. E por quê?

- Porque são estas comunidades que moldam o quadro de cultura e de fé que a Ronda da Lapinha ou a Senhora-à-Vila hoje constitui.

Achamos que este conjunto de comunidades religiosas, que não tem correspondência com qualquer diagrama institucional no plano religioso ou civil porque se repartem por quatro  municípios, três arciprestados e duas dioceses, tem de ser olhado e considerado por nós como o território da Senhora da Lapinha, ou "Terras da Senhora-à-Vila".

Depois achamos que é preciso criar uma relação de intensa interação pastoral com estas comunidades, porque só assim será possível manter e alargar a base da pirâmide devocional à Senhora da Lapinha e encontrar os agentes pastorais, em quantidade e qualidade suficientes, que permitam realizar as tarefas de formação que hão-de conduzir à purificação da grande manifestação de religiosidade popular que tanto orgulha os cristãos destas terras e fazer dela um importante instrumento de evangelização para os nossos tempos.

E a melhor forma de interação que encontramos foi esta de trazer a imagem peregrina de Nossa Senhora da Lapinha a cada uma dessas comunidades, permanecendo uma semana em cada Igreja paroquial, e sendo aí venerada segundo o estilo de cada uma delas.

E fazemos votos que esta prática se institua e no futuro se conserve, com regularidade e periodicidade.

A imagem peregrina de Nossa Senhora da Lapinha visitou as seguintes comunidades paroquiais:

- Arões (São Romão) na semana de 4 a 11 de Janeiro;

- Arões (Santa Cristina) na semana de 11 a 18;

- Cepães na semana de 18 a 25;

- Fareja na semana de 25 de Janeiro a 1 de Fevereiro;

- Armil na semana de 1 a 8 de Fevereiro:

- Jugueiros na semana de 8 a 15 de Fevereiro;

- Sendim na semana de 15 a 22 de Fevereiro;

-Friande na semana de 22 de Fevereiro a 1 de Março;

- Lagares na semana de 01 a 08 de Março.

Podemos dizer com satisfação que esta ideia foi muito bem acolhida por todas estas comunidades paroquiais e a imagem peregrina da Senhora foi  venerada com muita fé, entusiasmo e devoção.

Esperamos que esta Rota Interparoquial se repita em cada ano e que, num futuro próximo, desta interação interparoquial floresça uma equipa de conselheiros pastorais constituída por um ou dois elementos de cada comunidade, para se criar "um quadro harmónico de formação onde todos os elementos estejam ao serviço de um plano". como diz o autor José da Silva Lima no seu livro "Entre Rezas e Romarias - Piedade Popular e Prática Pastoral", quando fala de  "Prioridades Pastorais", na página 34.

Esta equipa teria a missão de aconselhar e executar ao longo do tempo a tal postura formativa, constituindo simultaneamente o principal veio de ligação entre o Santuário e os milhares de devotos espalhados pelas comunidades das Terras da Senhora-à-Vila.