ROTA INTERPAROQUIAL DA
IMAGEM DA SENHORA
A Irmandade de Nossa
Senhora da Lapinha tem a missão de promover o culto de Nossa Senhora, sob a
invocação de Nossa Senhora da Lapinha, porque foi num lugar com este nome, no
monte da Lapinha, situado na freguesia de Calvos, do concelho de Guimarães,
que, segundo a lenda, terão ocorrido factos extraordinários no início do séc.
XVII, que determinaram a confiança do povo na intervenção solícita de Nossa
Senhora e, em consequência desses factos extraordinários, nasceram e desenvolveram-se as práticas de
veneração que hoje subsistem.
.O culto de Nossa
Senhora da Lapinha expressa-se, fundamentalmente, numa manifestação mariana,
piedosa e de penitência, muito antiga, extensa e popular, actualmente conhecida
por Ronda da Lapinha, mas que até meados do século XIX era oficial e
popularmente referida como "A Senhora-à-Vila".
É antiga porque tem as
particularidades que lhe são conferidas por uma vivência colectiva que
completou quatro séculos no ano 2012;
É longa porque desde o
Santuário da Lapinha até à Cidade de Guimarães e no regresso por outro caminho
atravessa 14 freguesias, e faz um percurso de 21 quilómetros, facto que levou o
Senhor Arcebispo de Braga a conferir-lhe o epíteto de Meia Maratona da Fé;
É popular porque se
exprime na cultura do povo que reside na bacia hidrográfica do Rio Vizela, da
qual a freguesia de Jugueiros faz parte,
e mantem as particularidades que os quatro séculos de vivência colectiva
que conferiram.
Este terrítório onde
está implantada a devoção à Senhora da Lapinha reparte-se por quatro
municípios: Guimarães, Felgueiras, Fafe e Vizela.
Quando falamos de
Ronda da Lapinha, falamos de piedade
popular na sua expressão pura.
E por isso ficamos
sensibilizados quando lemos as palavras do Papa Francisco na sua Primeira Exortação Apostólica, Evangelii
Gaudium, a propósito da piedade popular.
Disse o Papa, citando o seu antecessor Paulo
VI:
"A piedade popular traduz em si uma certa sede de Deus,
que somente os pobres e os simples podem experimentar» e «torna
as pessoas capazes para terem rasgos de generosidade e predispõe-nas
para o sacrifício até ao heroísmo, quando se trata de manifestar a fé».
E como achamos que estas palavras do Papa assentam que nem uma luva
à Ronda da Lapinha, entendemos que a Ronda da Lapinha tem de passar a ser olhada como um
marco importante no plano da Fé, e tem de ganhar um conteúdo evangélico
e evangelizador cada vez mais profundo e estimulante, porque é uma
manifestação muito importante no plano da fé.
E ao pensar nisto, a
primeira ideia que nos ocorreu foi voltar a imagem da Senhora da Lapinha para
as comunidades religiosas da bacia hidrográfica do Rio Vizela. E por quê?
- Porque são estas
comunidades que moldam o quadro de cultura e de fé que a Ronda da Lapinha ou a
Senhora-à-Vila hoje constitui.
Achamos que este
conjunto de comunidades religiosas, que não tem correspondência com qualquer
diagrama institucional no plano religioso ou civil porque se repartem por
quatro municípios, três arciprestados e
duas dioceses, tem de ser olhado e considerado por nós como o território da
Senhora da Lapinha, ou "Terras da Senhora-à-Vila".
Depois achamos que é
preciso criar uma relação de intensa interação pastoral com estas comunidades,
porque só assim será possível manter e alargar a base da pirâmide devocional à
Senhora da Lapinha e encontrar os agentes pastorais, em quantidade e qualidade
suficientes, que permitam realizar as tarefas de formação que hão-de conduzir à
purificação da grande manifestação de religiosidade popular que tanto orgulha
os cristãos destas terras e fazer dela um importante instrumento de
evangelização para os nossos tempos.
E a melhor forma de
interação que encontramos foi esta de trazer a imagem peregrina de Nossa
Senhora da Lapinha a cada uma dessas comunidades, permanecendo uma semana em
cada Igreja paroquial, e sendo aí venerada segundo o estilo de cada uma delas.
E fazemos votos que
esta prática se institua e no futuro se conserve, com regularidade e
periodicidade.
A imagem peregrina de
Nossa Senhora da Lapinha visitou as seguintes comunidades paroquiais:
- Arões (São Romão) na
semana de 4 a 11 de Janeiro;
- Arões (Santa
Cristina) na semana de 11 a 18;
- Cepães na semana de
18 a 25;
- Fareja na semana de
25 de Janeiro a 1 de Fevereiro;
- Armil na semana de 1
a 8 de Fevereiro:
- Jugueiros na semana
de 8 a 15 de Fevereiro;
- Sendim na semana de
15 a 22 de Fevereiro;
-Friande na semana de
22 de Fevereiro a 1 de Março;
- Lagares na semana de
01 a 08 de Março.
Podemos dizer com
satisfação que esta ideia foi muito bem acolhida por todas estas comunidades
paroquiais e a imagem peregrina da Senhora foi
venerada com muita fé, entusiasmo e devoção.
Esperamos que esta
Rota Interparoquial se repita em cada ano e que, num futuro próximo, desta
interação interparoquial floresça uma equipa de conselheiros pastorais
constituída por um ou dois elementos de cada comunidade, para se criar "um
quadro harmónico de formação onde todos os elementos estejam ao serviço de um
plano". como diz o autor José da Silva Lima no seu livro "Entre
Rezas e Romarias - Piedade Popular e Prática Pastoral", quando fala
de "Prioridades Pastorais", na
página 34.
Esta equipa teria a
missão de aconselhar e executar ao longo do tempo a tal postura formativa,
constituindo simultaneamente o principal veio de ligação entre o Santuário e os
milhares de devotos espalhados pelas comunidades das Terras da Senhora-à-Vila.